Essa secção é dedicada na resolução de situações recorrentes a maioria dos alunos do mestrado. A inspiração para escrevê-la veio das inúmeras vezes nas quais respondo a essas perguntas.
A partir de fevereiro de 2026 temos uma nova dica a cada semana. Portanto, não deixa de passar por cá!
Referenciar Artigos Online (NP 405 vs. APA 7ª)
Atenção: Antes de começar a formatar, verifica sempre o regulamento específico da sua universidade ou instituto em Portugal. Usar a norma errada pode penalizar seriamente a tua nota final!
A Norma Portuguesa é mais rígida com a indicação de que o documento foi consultado na Internet.
Exemplo: BASTIDE, R. – Variações sobre a porta barroca [Em linha]. Novos Estudos CEBRAP, N.º 75 (jun. 2006) p. 129-137. [Consult. 24 out. 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-33002006000200009.
A APA foca-se na fluidez. Já não usa o termo "Disponível em" (a menos que não haja DOI) nem a data de consulta (exceto se o conteúdo for mutável, como uma Wikipedia).
Exemplo: Bastide, R. (2006). Variações sobre a porta barroca. Novos Estudos CEBRAP, (75), 129–137. https://doi.org/10.1590/S0101-33002006000200009
Observa que:
A Data: Na NP 405 a data aparece no fim ou após o número; na APA vem logo após o autor entre parênteses.
O Título: Na APA, o título da Revista é que fica em itálico. Na NP 405, o título do Artigo é que costuma ser destacado (a depender da interpretação da universidade).
Data de Consulta: Obrigatória na NP 405, dispensável na APA 7.ª para artigos científicos com DOI estável.
Objetivo Geral vs. Objetivos Específicos: como não falhar na Metodologia
Muitos alunos confundem os objetivos da investigação com as tarefas que têm de realizar. Esta dica vai ajudar a clarificar essa distinção fundamental.
1. Objetivo Geral (ou Principal, ou Central)
O objetivo geral é o "norte" da sua tese. Ele responde à pergunta: "O que pretende alcançar com este estudo no final de tudo?".
Deve ser único e abrangente.
Deve começar sempre com um verbo no infinitivo que indique uma ação intelectual (ex: Analisar, Compreender, Avaliar, Comparar).
2. Objetivos Específicos
São os passos intermédios necessários para atingir o objetivo geral. Pense neles como o "desdobramento" do tema.
Geralmente são 3 ou 4 objetivos.
Devem ser sequenciais e lógicos.
Erro Comum: Não coloque tarefas como objetivos (ex: "Fazer a revisão da literatura" não é um objetivo específico, é uma tarefa).
Exemplo Prático:
Tema: O impacto do teletrabalho na produtividade académica em Portugal.
Objetivo Geral: Analisar o impacto do regime de teletrabalho na produtividade dos investigadores das universidades públicas portuguesas.
Objetivos Específicos:
Identificar os principais fatores de distração no ambiente doméstico.
Comparar os níveis de produção científica antes e depois da pandemia.
Propor estratégias de gestão de tempo específicas para o contexto académico.
Sabia que objetivos mal definidos são a principal causa de reprovação de projetos de tese nos conselhos científicos? Se os seus objetivos não forem mensuráveis e claros, a sua investigação perderá o rumo."
Sente que os seus objetivos estão confusos? Vamos definir juntos o roteiro da sua tese.
Um dos erros que mais retira pontos em trabalhos académicos é o uso incorreto das citações. Na norma APA, a forma como referenciar o autor muda conforme a tua escrita.
1. Citação Direta (transcrição fiel - tal e qual)
É quando copia exatamente as palavras do autor, sem mudar uma única vírgula ou grafia de palavra.
Regra: Deve ser escrita entre aspas, incluir o apelido do autor, o ano e, obrigatoriamente, o número da página (p.) ou parágrafo (parág.).
Exemplo: "A escrita científica exige rigor e clareza" (Silva, 2023, p. 12).
2. Citação Indireta (paráfrase)
É quando explica a ideia do autor com as tuas próprias palavras.
Regra: Deve incluir o apelido e o ano. O número da página é opcional, mas recomendado se ajudar o leitor a localizar a ideia num livro extenso.
Exemplo: Segundo Silva (2023), a clareza é um dos pilares fundamentais para quem produz ciência.
Atenção: Se a citação direta tiver mais de 40 palavras, ela deve ser destacada num bloco de texto separado, com recuo, espaçamento duplo e sem aspas!
(...) Dica de Ouro: Guarde sempre o link ou o PDF da fonte no momento em que faz a citação. Deixar a bibliografia para o fim é o erro nº 1 dos mestrandos!
Dica de Especialista: A paráfrase é a ferramenta mais poderosa para demonstrar maturidade científica. Não se limite a copiar; transforme o conhecimento.
🚀 Brevemente: A ARTE DA PARÁFRASE ACADÉMICA: Como transformar leitura em escrita autoral sem perder rigor científico.
Quero saber quando for lançado!
Dúvidas sobre como evitar o plágio inadvertido? Ajudo-te a organizar as tuas citações com segurança.
Embora cada Instituição de Ensino Superior (IES) em Portugal tenha o seu próprio guia de estilo, a estrutura científica segue um padrão quase universal exigido pelos júris.
Elementos Pré-Textuais
Capa e Folha de Rosto: Com logótipo da universidade e nome dos orientadores.
Resumo e Abstract: Texto bilingue (Português/Inglês) com as palavras-chave.
Índices: Geral, de Figuras, de Gráficos e de Tabelas.
O Corpo do Trabalho (O "Coração" da Tese)
Introdução: Apresentação do tema, problema de investigação e objetivos.
Enquadramento Teórico / Revisão da Literatura: O estado da arte (o que já foi escrito sobre o assunto).
Metodologia: Descrição detalhada de como a investigação foi feita.
Resultados e Discussão: Apresentação dos dados e confronto com a teoria.
Conclusões: Síntese das descobertas e sugestões para estudos futuros.
Elementos Pós-Textuais
Referências Bibliográficas: A lista completa de fontes citadas.
Apêndices e Anexos: Documentos produzidos por si ou por terceiros.
Sente-se bloqueado em alguma destas etapas? A minha mentoria acompanha-o desde a folha de rosto até à conclusão.
A revisão da literatura é, para muitos mestrandos e doutorandos, a fase mais angustiante da investigação. O sentimento de estar a “naufragar” num mar de autores, artigos e livros é comum, mas geralmente decorre de um erro de perspetiva: acreditar que rever a literatura é apenas fazer um inventário de quem escreveu sobre o quê.
Uma revisão de excelência não é uma lista de resumos; é a construção do alicerce onde a sua tese sustentar-se-á.
1. O Erro do “Empilhamento” de Citações
Muitos estudantes limitam-se a transcrever trechos de autores por ordem alfabética ou cronológica, sem criar uma ligação entre eles. O resultado é um texto fragmentado, onde a voz do investigador desaparece. Para evitar isto, deve focar-se na síntese temática. Agrupe as obras por conceitos, tendências ou controvérsias, permitindo que os autores “dialoguem” entre si.
2. Identificar a “Lacuna” (Gap)
A função principal da revisão não é apenas mostrar o que já se sabe, mas sim identificar o que ainda não foi dito ou o que precisa de ser aprofundado. É nesta “lacuna” que a sua investigação se insere. Uma revisão crítica permite-lhe dizer: “Estes autores dizem X, aqueles dizem Y, mas ainda não se estudou o fenómeno sob a perspetiva Z”.
3. A Organização das Referências
Não deixe a formatação para o fim. O rigor na organização das fontes é o que garante a credibilidade do seu trabalho. Lembre-se que cada citação no texto deve ter uma correspondência exata na lista final. Para referências bibliográficas 𝑜𝑛𝑙𝑖𝑛𝑒, por exemplo, a estrutura correta deve seguir parâmetros rigorosos como (Norma Portuguesa):
BASTIDE, R. - Variações sobre a porta barroca [Em linha]. Novos Estudos CEBRAP, N.º 75 (jun. 2006) p. 129-137. [Consult. 24 out. 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-33002006000200009.
4. Dicas Práticas para o Sucesso:
Filtre as Fontes: priorize artigos de revistas científicas com revisão por pares e livros de referência nos últimos 5 a 10 anos.
Mantenha o Fio da Meada: pergunte-se sempre: “Como é que este parágrafo ajuda a responder ao meu problema de investigação?”.
Use Matrizes de Síntese: crie tabelas para comparar as metodologias e conclusões dos principais autores da sua área.
Conclusão
Fazer uma revisão da literatura exige paciência e método. Quando bem-feita, ela deixa de ser um “obstáculo” e passa a ser o seu maior suporte na hora de analisar os dados e redigir as conclusões.