Obesidade, uma questão muito além da aparência física

25-05-2020

O último sábado, 23 de Maio, marcou o Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade em Portugal. E daí se pode pensar: mas, porque ter um dia especial de combate a obesidade? Quem quiser ser obeso que seja! Quem quiser gostar de mim que seja como eu sou! Hummm..., penso que não é tão simples assim!

De acordo com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, a obesidade não é uma simples questão de estética ou padrões preconcebidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade como uma epidemia que afecta a longevidade e a qualidade de vida. Isso dá-se pelo facto de a obesidade favorecer o surgimento de doenças como a diabetes mellitus tipo II, a hipertensão arterial ou a dislipidemia. Além disso, o excesso de peso e a obesidade levam a um importante aumento do risco cardiovascular. Enfim, com tantos males associados, nada mais natural do que querer ficar longe dela!

Nesta semana, ao deparar-me com o título "A obesidade é hoje uma pandemia muito mais letal do que a da Covid-19" publicada no site publico.pt de 22 de Maio, a qual cita que "a Covid-19 tende a ter um desfecho mais grave nos obesos", além de comentar sobre a preocupação do impacto do confinamento no excesso de peso da população. Sobre o confinamento e o excesso de peso, posso dizer, sem dúvida, que está ligado á fome emocional. Na prática, eu pude confirmar ao encontrar com algumas vizinhas na semana passada...

Relativamente a questão do impacto da Covid-19 em obesos chamou a minha atenção (apesar de já ter ouvido antes) e fui investigar sobre o assunto, o que deixou-me muito mais apreensiva sobre a obesidade, sua prevalência e crescimento e como afecta àquelas pessoas infectadas pelo Covid-19. O que descobri foi realmente de preocupar.

Encontrei tantos dados importantes, que não dá para falar sobre todos num único artigo, pois, ficaria enorme. Assim, em breve, voltarei ao assunto e falarei sobre outros aspectos. Hoje vou deter-me nos números da obesidade no mundo e a relação entre a obesidade e a Covid-19.

A obesidade no mundo: outra pandemia, porém silenciosa

Segundo OMS, 2,3 bilhões de pessoas no mundo estão com sobrepeso ou obesidade, ou seja, cerca de 30% da população mundial. Desses, mais de 700 milhões com obesidade. A levar e consideração que, no mundo há enormes bolsões de miséria, ter esses números são mesmo para pensar.

Na China, o país mais populoso do mundo, as estimativas revelam que o percentual de obesos já atingiu 15% da população. Nos EUA, pesquisas mostram que 30% dos estadunidenses são obesos, na Europa e Japão a obesidade atinge 20% da população. O Egipto lidera a lista de obesidade adulta com cerca de 35% da população. De acordo com a Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO), em Portugal chega-se a expressiva percentagem de 62% da população com obesidade ou pré-obesidade (sobrepeso). A Arábia Saudita e os Estados Unidos, com cerca se 30% das suas populações, também nas primeiras posições, juntamente com o México, Chile, Rússia e Brasil.

O número de obesos ou com sobrepeso cresceu aproximadamente 70% em apenas três décadas. O mais impressionante de tudo é que esse crescimento tem sido expressivo (quase 50%) em grandes massas populacionais como a Índia, a China e o Brasil, que nem costumavam estar na lista há alguns anos. Importa referir que a maioria de pessoas acima do peso ideal é de mulheres acima dos 45 anos. Esse crescimento, levou a OMS a criar termo chamado "globesidade" decorrente das mudanças ocorridas no processo de globalização e na caracterização dessa também chamada de pandemia, por alguns especialistas no assunto.

No Brasil, houve um aumento significativo das pessoas que sofrem de obesidade, que passou de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, uma ampliação de 72%. Ou seja, 02 dois em cada 10 brasileiros estão obesos. Se considerando o excesso de peso, metade dos brasileiros está nesta situação (55,4%). Em Portugal a situação não é diferente, segundo o relatório Health at a Glance 2019, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o país aparece em quarto lugar, haja vista que 67,6 % da população portuguesa acima dos 15 anos tem excesso de peso ou é obesa.

Considero importante destacar que a inactividade física foi identificada pela OMS como um dos principais factores de risco para a mortalidade no mundo, contribuindo para o aumento do sobrepeso e obesidade.

Obesidade não é uma questão estética

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro mais comummente utilizado é o do índice de massa corporal (IMC). O IMC é calculado dividindo-se o peso (em quilos) de uma pessoa pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado (kg/m2). É o padrão utilizado pela OMS, que identifica o peso normal quando o resultado do cálculo do IMC está entre 18,5 e 24,9. Um IMC de 25 a 29,9 é considerado sobrepeso ou obesidade Grau I e acima de 30 já é considerado obesidade Grau II. Acima de 40, considera-se obesidade grave, mórbida ou Grau III, mas alguns especialistas consideram este estado já com IMC acima de 35.

A obesidade é um sério problema de saúde pública, sendo considerada pela OMS como uma pandemia, a qual tem sido relacionada a alterações metabólicas importantes tais como: dislipidemia (anomalias nos níveis de lípidos no sangue, principalmente do colesterol total e dos triglicerideos), hiperinsulinemia, hipertensão, complicações ortopédicas, diabetes tipo II, doenças cardíacas e várias formas de cancro. As evidências indicam que a gordura depositada na região abdominal está relacionada ao risco à saúde, principalmente, cardíaco.

A boa notícia é que a adopção de hábitos saudáveis como a prática regular de actividades físicas, a ingestão de alimentos saudáveis e, principalmente, uma transformação emocional que leve a uma postura positiva em relação à vida, ajudam a prevenir e/ou auxiliar no tratamento das doenças associadas e as suas comorbidades.

De pandemia para pandemia: Obesidade e Covid-19

Por que a Covid-19 tem levado a óbito mais pessoas obesas? Desde o início da pandemia tem-se noticiado que os grupos mais vulneráveis ao Corona vírus são formados por pessoas acima de 60 e portadoras doenças crónicas preexistentes, como hipertensão, diabete, doenças coronarianas. Exactamente, aquelas doenças relacionadas e, às vezes, causadas em decorrência da obesidade.

Isso porque as pessoas acima do peso, na grande maioria dos casos, podem ter outras doenças crónicas preexistentes mais prevalentes em pacientes com o vírus, como citadas anteriormente. Neste sentido, a obesidade pode acabar por tornar-se um factor complicador para quem está contaminado. Os médicos explicam que muitos pacientes com Corona vírus, que sofrem de obesidade, já podem ter sofrido de doenças que comprometeram a função respiratória, por exemplo.

Sabe-se que o novo Corona vírus afecta diretamente os órgãos respiratórios e ter algum tipo de comprometimento destes órgãos pode ser um factor determinante no tratamento de pacientes. Há casos, por exemplo, em que a obesidade abdominal causa compressão séria do diafragma, dos pulmões e da capacidade torácica, o que desencadeia o agravamento dos casos do vírus em muitos pacientes.

A obesidade promove uma série de alterações hormonais, levando a um estado inflamatório permanente de diversas áreas do organismo o que deixa os pacientes mais susceptíveis às complicações do Covid-19. Para se ter uma ideia, os dados do serviço de saúde inglês mostram que mais de 70% daqueles que estão nos Cuidados Intensivos por Covid-19 têm excesso de peso e, quase 40% desses doentes estão na faixa etária abaixo de 60 anos.

Dois novos estudos, um realizado em França e outro nos Estados Unidos, revelam que a obesidade é a condição crónica que mais leva pessoas a serem hospitalizadas pelo novo Corona vírus. A inflamação gerada pelo excesso de peso seria a grande responsável pelas complicações nesses indivíduos.

Em França, os resultados mostraram que 47,6% eram obesas (ou seja, apresentavam o IMC, maior que 30) e 28,2% tinham obesidade grave (IMC maior que 35). Os cientistas notaram ainda que 85 pacientes (68,6% do total) utilizaram ventilação mecânica, sendo que a proporção foi maior entre os obesos graves (85,7%). De olho nos dados, os cientistas concluíram que a seriedade da infecção aumenta à medida que o IMC cresce.

Na investigação americana, conduzida na Universidade de Nova York, os estudiosos analisaram informações sobre 4103 pacientes da cidade. Dentre eles, 44,6% eram cardíacos, 39,8%, obesos, e 31,8%, diabéticos. Enquanto 51,3% (2104) foram acompanhados em casa, 48,7% (1 999) precisaram de hospitalização.

Ao fim da análise, os autores perceberam que o IMC alto era o problema crónico que mais resultava em internação e necessidade de ventilação mecânica. De acordo com eles, essa relação não se deu ao acaso.

O meu objectivo com esta matéria é motivar-te a não deixar que o isolamento social seja o isolamento corporal e aumente o teu comportamento sedentário. Pelo que investigámos e apresentámos nesse artigo, o não cuidado com o corpo pode ter sérias consequências, provocando um aumento do teu peso corporal e o aumento de todos os riscos detalhados acima. Lembra-te, a pessoa mais importante da rua vida és tu, portanto, o mais importante a fazer é cuidar da tua saúde e do teu bem-estar. Mantenhas-te activa, adopte hábitos saudáveis e encare a vida com optimismo, realismo e muita energia. Desistir de ti NÃO pode ser uma opção!!!

Lembra-te: é importante não te sentires só nessa jornada, podes sempre contar comigo.

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