Emagrecer a força ou emagrecer de facto, eis a questão...

23-03-2020

Actualizado em 14/04/2021

Um belo dia olhamos uma foto e não reconhecemos quem lá está. Não, essa não pode ser eu! Onde está aquela mulher magra que um dia eu fui? Tomamos coragem e subimos na balança (a nossa pior e mais implacável inimiga) e lá vem o resultado: muitos quilos a mais...

Ou, então, alguém "decide" que estamos obesas, nós não nos conseguimos ver assim, mas a balança, as fotografias, as análises e os médicos teimam em o dizer. O que nos resta? Emagrecermos à força e rápido, afinal, o verão já está a chegar!

Actualmente existe um arsenal de soluções para que possamos emagrecer rapidamente: dietas restritivas, shakes, chás, inibidores de apetite, queimadores de gordura, aceleradores do metabolismo, massagens das mais diversas, balão intra gástrico, e, por fim, a cirurgia bariátrica. O que tudo isso tem em comum? Muitos funcionam, outros, nem por isso. A questão que aqui se coloca é que são processos nos quais emagrecemos à força, pois, o processo vem de fora para dentro e não é sustentável e em pouco tempo voltamos a engordar, geralmente um bocadinho a mais do que estávamos antes do processo.

E porquê? Porque não há uma transformação da nossa mentalidade. Ganhamos um corpo magro, mas a mentalidade continua obesa e ansiosa por voltar aos velhos hábitos. O que fazemos quando rapidamente emagrecemos? Voltamos aos hábitos anteriores. Resultado: tornamos a engordar e aumentamos a nossa desilusão e frustração. Junto com os quilos mais vem a sensação de fracasso, desânimo e mais uma dose de crenças limitadoras.

Ao emagrecermos à força são utilizadas soluções que alteram temporariamente o funcionamento do nosso corpo. Reduzimos a ingestão de alimentos, deixamos de comer algumas coisas (doces e pães, por exemplo), ou trocamos comida por líquidos supostamente nutritivos. Com o passar de um curto espaço de tempo alcançamos o sonhado corpo magro. A partir daí achamos que estamos "livres" para voltarmos aos antigos hábitos, afinal já estamos magras.

Eu mesma já cheguei comer enormes pedaços de torta/tarte de chocolate para comemorar que havia emagrecido! Aí, aí... amarga ilusão!

Bem, ao utilizarmos artifícios externos para emagrecer, fica a faltar o principal, que só descobri muitos anos depois: a verdadeira transformação de uma mentalidade obesa, que sonha com pizzas, batatas fritas, tartes e pasteis de nata, para uma mente magra que come apenas o que necessita para estar bem, que diz não para a comida e sente-se empoderada por isso.

Ao emagrecermos a força, o processo externo não dá conta de todas as nossas nuances. Concordas?

A outra ponta desta situação é o emagrecer de facto. Esse é um processo interno de tomada de decisão. É quando percebemos que algo corre mal e não nos agradamos disso. A partir daí inicia-se um processo de mudança de mentalidade que já não tem volta.

Geralmente ocorre após um choque emocional grande: problemas de saúde, o comentário de alguém realmente importante, uma foto que teima em mostrar o que não estávamos a querer ver. A partir daí ocorre uma busca pelo desenvolvimento pessoal e uma transformação de mentalidade. Como resultado, conseguimos seguir os planos alimentares (antes guardados numa gaveta qualquer), deixamos de faltar aos treinos no ginásio e, dizer não para o que nos faz mal passa a ser um prazer e não um tormento.

Isso parece impossível? Afirmo que não! Eu passei por esse processo e venci todas as minhas crenças e tabus. Hoje sinto-me livre, como o que eu gosto, digo não para o que me faz mal, acredito na minha capacidade e tenho o prazer de vestir a roupa que me apetece e não a que me cabe ou a que melhor disfarça as marcas da obesidade.

Concluindo: a questão que aqui se coloca é como faremos a melhor escolha para o nosso corpo e para a nossa autoestima. Emagrecer à força é rápido, mas não é sustentável. Por ser um processo externo, acabamos por voltar a engordar. E sentimo-nos frustradas, fracas e com a autoconfiança muito baixa.

Quando há uma mudança da nossa mentalidade emagrecemos de facto, e essa nova condição é sustentável e libertadora! Contudo, para atingi-la, é necessário mudar a nossa atitude perante o alimento. A partir daí, estaremos livres não só para nos alimentarmos com o que, verdadeiramente é saudável, como para usarmos a roupa que escolhermos e não a que nos cabe ou a que melhor esconde o que não gostamos de ver. Qual mulher não deseja ter esse poder de escolha?

Eu escolhi viver assim.

E tu, o que desejas?

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