5 comportamentos que engordam

20-04-2020

Quando contei a minha história não disse que fui magra até os 30 anos. Pois, é... Fui muito magra na infância e detestava comer. Passei os primeiros anos da minha vida a ouvir a seguinte frase: "A essa hora tem muita criança chorando de fome e você aí chorando para não comer!" Parece inacreditável, mas eu era assim!

Mesmo o que eu gostava de comer (não era muita coisa) eu não queria...

O tempo passou, a puberdade chegou e com ela o meu apetite. Passei a comer sem precisar ser ameaçada. Entretanto, eu já havia desenvolvido os piores hábitos alimentares possíveis: refrigerantes, bolachas, frituras e fast food. Frutas e vegetais: nem pensar!!!! Junto com a adolescência veio o tabagismo. Assim, tudo o que eu comia era destruído pela nicotina e eu mantive-me mal nutrida, mas magra.

Fumei até os 30 anos. Assim como no processo de emagrecimento, eu parei de fumar a força, sem que houvesse uma mudança no meu mindset. Como consequência eu não segui as recomendações do médico para fazer exercícios físicos e passei a comer doces desalmadamente.

Comprava rebuçados (balas/ confeitos, no Brasil) em pacotes de 1Kg. Devorava-os... É óbvio que comecei a engordar! Para ser bem sucinta nessa história, passei dos 57Kg aos 96kg ao longo de todo o processo. Como isso aconteceu? Passo, agora, a listar os cinco comportamentos que ajudaram nesse processo.


5 atitudes que engordaram-me


1. Agarrar-me em crenças limitadoras.

A primeira crença foi: «parar de fumar engorda». Eu simplesmente não tinha forças para deixar de comer, pois já era certo que eu ia engordar. O que a minha mente fez foi criar comportamentos alinhados com o que eu acreditava. Concordas? De facto, se a pessoa não faz qualquer exercício físico e passa os dias a comer doces só pode mesmo engordar.

Depois fui agarrando-me a outras crenças, cada uma mais arrasadora que a outra: «É normal uma mulher engordar depois dos 30 anos.» «É muito difícil emagrecer depois dois 35, 40, 45, etc.» «A vida é muito curta para privar-me do que eu gosto.» E mais umas tantas outras.

Levei a minhas crenças tão a sério que só podia dar no que deu: uma senhora obesa, com dores no corpo e cheia de "certezas" incertas!

2. Buscar um emagrecimento forçado

Eu não queria e nem tinha como fazer algum tipo de esforço emocional para mudar. Então, o mais prático era recorrer aos "milagres" da indústria farmacêutica. Emagreci em todas as tentativas, mas voltava a engordar num mês!

Bastava eu alcançar o peso desejado e lá voltava eu aos doces, bolachas (comia pacotes e mais pacotes), pizzas, batatas fritas, refrigerante, cerveja e todas as asneiras que eu comia. Não me recordo de ter feito alguma escolha saudável, simplesmente parava de comer por não sentir fome. O que faltou? A transformação real, aquela que te faz dizer não ao que não é bom para o teu corpo. Ah, se eu soubesse disso aos 40 anos...

3. Não realizar exercícios físicos regularmente

Desde a infância eu fugia de qualquer atividade que fosse corporal. Como era míope, não via bem e caía muito. Morria de vergonha e optei por fugir daquela dor. Mal sabia que encontraria outra bem pior: a dor de olhar-me no espelho e não gostar do que via!

Ao longo dos 26 anos de obesidade iniciei exercícios físicos por inúmeras vezes e abandonei todas, menos a atual, na qual já fazem quase dois anos.

Perdi as contas de quantos ginásios eu paguei a matrícula e o primeiro mês. Cheguei a pagar seis meses e desaparecer logo no primeiro mês. Fiz musculação, caminhada, yoga, pilates (com máquinas e sem máquinas), natação, hidroginástica e não avancei com nada.

Desistir era a palavra de ordem.

A consequência: passei a sentir-me fracassada. Naquela altura eu não sabia que desistir é bem diferente que fracassar. O resultado? Busquei o conforto na comida, porque isso parecia ajudar-me a não ver o que eu não queria que fosse visto.

4. Ter uma auto perceção negativa.

Eu não consigo; eu não tenho força de vontade; eu troquei uma compulsão por outra; eu não tenho vergonha na cara...

A cada desistência e ganho de peso a minha auto imagem e auto perceção pioravam. No meu processo de mudança eu aprendi que toda a gente ao concentrar-se nas suas deficiências (não sou boa o suficiente), começa a sentir-se derrotada. O que eu não sabia é que o facto de nos apegarmos a sentimentos negativos sobre quem somos pode começar a dominar a nossa consciência e corroer a nossa confiança de tal forma que mudar os nossos hábitos de auto cuidado, alimentação e exercício começar a parecer impossível.

Nessa fase eu descuidei completamente de mim, nada valia a pena. Passei pelo processo de negação, depois de auto piedade. Quando sentimos pena de nós mesmas (por estarmos sozinhas ou indesejadas, por exemplo), perdura um sentimento de vergonha, humilhação e auto julgamento. Nesse estado de espírito, é muito fácil adoptar hábitos prejudiciais que perpetuam a autoaversão.

5. Resistir à mudança.

Estava agarrada aos meus hábitos, em especial aos alimentares. Resistia a tudo o que fosse diferente nessa esfera. Não comia vegetais, não gostava sem, ao menos, provar. O meu pensamento era: "agora não tenho tempo; tenho tantas coisas para resolver e ainda tenho que mudar a alimentação? Mais para frente eu resolvo". E o peso a aumentar, e as roupas que gostava não as podia comprar, e os joelhos a doerem...

É incrível, mas, às vezes, mesmo se nos sentimos infelizes e doentias, não conseguimos tomar medidas para nos sentirmos melhor. Não estar disposta a explorar novas maneiras de viver, como comer alimentos diferentes ou sair de uma rotina de inatividade, acaba por se transformar num sentimento de que essas coisas são para outras pessoas, não era para mim.

Como podes perceber, o excesso peso não é propriamente um problema e sim o resultado dos problemas. Não quero dizer com isso que estar acima do peso é falta de força de vontade, longe disso. Tenho a certeza que força de vontade não falta, se assim fosse não tentarias tantas vezes. Concordas?

Assim, o meu objetivo nesse artigo foi mostrar-te que são as tuas crenças e os teus comportamentos que te levam a estar longe do corpo que desejas. Portanto, buscar uma mudança é o caminho que leva a solução definitiva desta situação.

Os cinco comportamentos que engordam: crenças limitadoras, emagrecimento forçado, falta de exercícios, auto perceção negativa e resistência á mudança podem ser modificados. Basta que busques o caminho adequado. Em todos os meus programas, alicerçados com a metodologia dos 9 passos seguimos caminhos que mudam o mindset, assim passas a ter uma relação amigável com os alimentos, com os exercícios físicos, e com o auto cuidado. Podes acreditar, garanto-te!

Concluo a deixar-te uma tarefa. Faça uma lista com os 5 comportamentos que te fazem ganhar e manter o peso. Escreva numa folha de papel. Ao fazeres isso darás o primeiro passo para a transformação tão desejada.

Lembra-te: não existe transformação sem o autoconhecimento.

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Nesse mês de abril iniciei o meu projecto "Conversas com quem deseja emagrecer". Um grupo de apoio online, no qual são abordados e discutidos em grupo temas referentes ao comportamento da nossa mente frente ao processo de emagrecimento. Além disso, serão fornecidas ferramentas que ajudar-te-ão a driblar a fome emocional. O próximo grupo terá início em outubro. Para reservas basta clicares aqui.

Até breve!

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